:::::: EVENTOS
:::::: DISCURSO DE ENCERRAMENTO XIII CONGRESSO CACB
Discurso proferido pelo Excelentíssimo Senhor
Luiz Otávio Gomes, no encerramento do XIII Congresso da Confederação
das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil,
realizado no dia 6 de junho de 2003, na cidade de Salvador, Bahia.
Meus parceiros, minhas parceiras neste empreendimento
vitorioso: o XIII Congresso da Confederação das Associações
Comerciais e Empresariais do Brasil.
Com emoção, iniciamos as despedidas deste
evento inesquecível.
Começo esta fala buscando apoio, novamente,
em Castro Alves:
"Toda noite - tem auroras,
raios - toda escuridão.
Moços, creiamos, não tarda
a aurora da redenção.
gemer - é esperar num canto
chorar - é aguardar que o pranto
faça-se estrelas nos céus.
O mundo é o nauta das vagas...
Terá o oceano as plagas
se existirem Justiça e Deus"
Apostemos nas auroras, domemos os raios. Não esperaremos num
canto nem prantearemos sequer as estrelas. Encontraremos terra firme,
na crença que Deus nos fez e que nós nos faremos justos.
Encerramos o XIII Congresso da Confederação
das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil
deliberando sobre novas idéias, consolidando rumos encontrados
desde antes. Definimos nossos caminhos, somos nautas em vagas agitadas
de uma globalização de profundidade oceânica.
Neste congresso, soubemos avaliar nosso salto de qualidade,
soubemos colher os frutos de uma árvore bem plantada. Saudamos
aqueles que a semearam antes de nós. E nós, neste momento,
nos orgulhamos de deixar plantadas novas e mais sementes.
Destacamos alguns dos principais avanços conquistados
e projetos futuros de nossa CACB:
a A representatividade política da Confederação
das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil
foi multiplicada e alcançou um destaque sem paralelo em nossa
história até hoje. A participação da CACB
nos fóruns e conselhos nacionais e internacionais foi potencializada
em função das idéias defendidas e pela unidade
e disposição de luta de todo o sistema. Destaco aqui
nossa presença na Ação Empresarial, no Conselho
de Desenvolvimento Econômico e Social, no Conselho Anti Drogas,
no Conselho Deliberativo do Sebrae Nacional e OLAMP.
a O Projeto Empreender foi espalhado e enraizado por
todo Brasil. Hoje está presente em 650 municípios, alcançando
todas as 27 unidades da federação. Em nossa avaliação,
está comprovado - pela prática - que o Empreender é
uma ferramenta indispensável para a consolidação
e modernização da micro e da pequena empresa. Confirmo
aqui, com orgulho, a renovação da parceria com o Sebrae
por mais 16 meses para a continuidade e desenvolvimento desse extraordinário
projeto.
a A Mediação e Arbitragem é outra
iniciativa que comprovou a clareza de sua proposição.
Depois de dois anos de trabalho, existem 51 Câmaras de Arbitragem
e Mediação (CAMs) distribuídas por todo Brasil.
Nesse universo, 23 CAMs são formadas a partir de Associações
Comerciais e 28 são entidades filiadas ao sistema. Na última
avaliação feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID), apenas três países conseguiram êxito na
implantação do processo de Mediação e
Arbitragem; e entre esses, está o Brasil; e desses, nosso País
é o único onde o projeto é executado por Associações
Comerciais (ou Câmaras de Comércio).
Para o próximo mandato, já estão traçadas
- entre outras - as seguintes metas:
a Levar a todo o Brasil o projeto Bolsa de Ações
Sociais, que representará a introdução da micro
e da pequena empresa no cenário dos grandes empreendimentos
sociais brasileiros. Esse trabalho está sendo desenvolvido
em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, com
quem já assinamos um convênio.
a Implantar em todo os estados brasileiros a cultura
da Arbitragem e Mediação para o micro e o pequeno negócio.
Esse convênio já está assinado com o Sebrae.
a Construir, em todo Brasil, as Cooperativas de Crédito
para a micro e para a pequena empresa. Esse projeto se inspira na
experiência vitoriosa levada adiante pela Associação
Comercial de Maringá naquela cidade paranaense.
a Formação e capacitação
de lideranças empresariais no Brasil. Esse programa já
foi discutido com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (e tem
a simpatia do presidente do BID, Enrique Iglesias) e o implantaremos
no mais curto espaço de tempo, multiplicando a força
e o enraizamento de milhares de novas lideranças empresariais
e cidadãs por todo Brasil.
a Inclusão Digital. Nesse projeto pretendemos
que todo empresário da micro e da pequena empresa brasileira
esteja ligado, através do meio digital, via Internet, ao sistema
CACB. Pretendemos usar, em todo o seu potencial, a tecnologia da informação
para o fortalecimento de cada associação comercial,
possibilitando a cada pessoa filiada à rede CACB novas oportunidades
de negócios, de esclarecimentos e de acesso a novos projetos.
a Transformar cada associação comercial em Agência
de Desenvolvimento. Seremos milhares de células de desenvolvimento,
presentes em todos os estados brasileiros, aptas para o incentivo
e à ligação da micro e da pequena empresa aos
projetos de desenvolvimento econômico e social.
Esses são alguns de nossos novos projetos. Essas
foram conquistas importantes de todos nós.
Reafirmo agora a confiança e as preocupações
expressas no discurso de ontem, quando da abertura:
Não é possível se tolerar uma
conjuntura econômica onde apenas a agiotagem é sinônimo
de ganho real. Não podemos aceitar que a cobrança de
tributos mantenha-se no escandaloso patamar de 41,8% do Produto Interno
Bruto, como aconteceu no primeiro trimestre deste ano. Não
podemos silenciar frente a uma estabilidade que pode fazer o barco
naufragar.
Queremos a estabilidade para avançar. Almejamos
que os juros não sejam usados como obstáculos ao desenvolvimento.
Lutamos e lutaremos sem descanso pelo direito ao desenvolvimento.
Cobramos uma nova política tributária, adequada às
necessidades da estabilidade com desenvolvimento.
Estaremos solidários, mais que isso seremos
parceiros entusiasmados de todos os projetos governamentais que auxiliem
o Brasil a sair do poço onde se encontra e ganhar os horizontes
da globalização.
Continuaremos alerta, praticando a cidadania no dia-a-dia,
aplaudindo o acerto, apupando o erro, propondo soluções,
cobrando e tomando iniciativas.
Parceiros e parceiras. Encerramos o XIII Congresso
da Confederação das Associações Comerciais
e Empresariais do Brasil. Vencemos importantes etapas, conquistamos
e ampliamos posições. Devemos comemorar? Sim, mas devemos
mais ainda nos preparar para o trabalho que temos pela frente. A cada
vitória da gestão que se encerra, descortinaram-se novos
desafios a vencer.
Como diria Castro Alves, ao encerrar seu O Século,
escrito em agosto de 1865:
"Moços, do topo dos Andes,
pirâmides vastas, grandes,
vos contemplam séculos mil"
Em junho de 2003, do topo de nossas conquistas e de
nossos sonhos, nos contempla o futuro.
O futuro está à nossa frente. O nosso
futuro e o de nosso País depende do que cada um puder fazer
como cidadão e, principalmente, dependerá do poder de
cada entidade representativa ser efetivamente cidadã ativa,
plena em suas atribuições, íntegra em seus princípios,
unida em suas bases.
A Confederação das Associações
Comerciais e Empresariais do Brasil sai desse congresso ainda mais
consciente de suas responsabilidades como entidade representativa,
ativa cidadã, íntegra e unida.
Queremos que esse seja o nosso século.
Queremos o Brasil país do presente. Queremos o futuro agora
e estamos dispostos a construirmos, juntos com todos os demais segmentos
e forças interessadas, um Brasil livre e desenvolvido, capaz
de sobreviver, crescer e se afirmar nas plagas da globalização.
Não será fácil, não acontecerá
sem conflitos de interesses. Mas ao terminar os trabalhos desse congresso,
antes de festejar as vitórias obtidas, nós todos queremos
nos comprometer com o começo de uma nova jornada de trabalho,
em defesa do crescimento do sistema CACB e em defesa do desenvolvimento
econômico e social do Brasil.