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Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil - A força de 27 federações, 2038 associações, 2,5 milhões de empresas associadas
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:::::: EVENTOS

:::::: DISCURSO DE ABERTURA XIII CONGRESSO CACB

Discurso proferido pelo Excelentíssimo Senhor Luiz Otávio Gomes, na abertura do XIII Congresso da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, realizado no dia 05 de junho de 2003, no Centro de Convenções Bahiatursa, na cidade de Salvador, Estado da Bahia.

Aqui, nesta Bahia de todos os Santos, inicio minha fala com as palavras de um pecador quase divino em arte e em cidadania: Castro Alves.

Entre outras muitas odes geniais, disse o jovem poeta ao saudar o século, em 1865:

"Ante esse escuro problema
há muito irônico rir
pra nós o vento da esperança
traz o pólen do porvir.
E enquanto o ceticismo
mergulha os olhos no abismo,
que a seus pés raivando tem,
rasga o moço os nevoeiros,
pra dos morros altaneiros
ver o sol que irrompe além".


O poeta não chegou a viver o novo século. Como sabemos, morreu ainda jovem na velhice do século 19. O século 20 chegou e também se foi. Cá estamos nós, começando o século 21, ante escuros problemas, com muita ironia e pouco riso. Mas com muitos ventos de esperança a conduzir polens que almejamos fecundos.

Existem os céticos, sempre mirando abismos. Existem os abismos.

Mas continuam a existir os moços de espírito, homens e mulheres de todas as idades, dispostos a rasgar nevoeiros, galgar montanhas para viver o nascer do sol. Somos nós.

Apostamos na esperança, no pólen fecundo, queremos rasgar névoas, vencer os morros, acompanhar o surgir do sol.

Que o sol da Bahia de Todos os Santos nos ilumine e cobre nossos compromissos.

Abrimos neste momento os trabalhos do décimo terceiro Congresso da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil.

Frente às sombras, aos desafios do mundo globalizado, nós apostamos no associativismo como caminho para sobrevivência das empresas nos países em desenvolvimento. Nesse congresso, nosso lema é "Fortalecer para Crescer".

O mundo contemporâneo está carregado de ironias trágicas. Anunciado como o fim da história, repete a violência insana dos bárbaros começos das velhas histórias. Por outro lado, o espetacular avanço da ciência, a diversidade das oportunidades, a expansão da cultura oferecem novas chances de se mudar o rumo das coisas, de se escrever páginas novas na história.

Estamos de olho no abismo, estudamos e buscamos as saídas. Algumas terão de ser construídas, inventadas. Nós as criaremos porque olhamos além, miramos as dificuldades para enxergar sua superação.

Neste cenário, é clara a força do Sistema CACB. Somos dois milhões de empresários organizados em mais de duas mil versões de uma mesma entidade, a Associação Comercial. Somos plurais, somos empreendedores de todos os ramos e tamanhos e, principalmente e orgulhosamente, somos responsáveis pela maioria dos empreendimentos de micro e pequeno porte. Aqui, somos maiores em possibilidades.

Como dois milhões de pessoas responsáveis por empreendimentos de micro e pequeno porte, temos um projeto comum - e de imenso porte. Queremos ocupar nosso devido lugar no futuro. E o futuro, para nós, já começou.

Nesse novo governo a sociedade brasileira pode consolidar um grande passo e eliminar as visões apocalípticas das relações entre Capital e Trabalho. Nos empenharemos em cambiar a palavra contradição por cooperação. E nós, nessa conjuntura, estamos numa posição privilegiada, até porque a maioria de nós é, ao mesmo tempo, Capital e Trabalho. Grandeza única e típica dos empreendimentos de micro e pequeno porte.

Queremos que os empreendimentos de micro e pequeno porte participem da elaboração e do acompanhamento prático dos projetos estratégicos de desenvolvimento do País. Projetos esses que só se transformarão em realidade se conseguirmos ficar juntos e estabelecer parcerias entre o micro, o pequeno o médio e daí possamos estabelecer objetivos e metas comuns com o macro, com o hiper empreendimento. Para essa parceria acontecer, é essencial o engajamento do Poder Público e aqui queremos estreitar os laços com o governo brasileiro em busca do desenvolvimento econômico com ênfase no social.

Queremos exercer plenamente a cidadania, queremos crescer, desenvolver, queremos ser competitivos no grande mercado globalizado e nos recusamos a esquecer que existem quarenta milhões de miseráveis no Brasil.
Concordamos com o novo governo na prioridade social, no esforço para reformar a previdência, no atual posicionamento frente à Alca (com inclusão, em bloco, do sistema Mercosul) e na necessidade de inserção brasileira - sem submissão - nos mercados globais.

Cobramos do novo governo, porém, posições realmente novas em relação à política tributária. Consideramos uma violência a arrecadação de tributos alcançar o patamar de 36% do Produto Interno Bruto. Não podemos considerar tolerável a expansão dessa violência para a proporção de 40%, como querem alguns radicais. Reivindicamos a cobrança do ICMS no destino, como forma de não se aprofundar as desigualdades entre as regiões. Reafirmamos a prioridade da expansão do Simples para a área de Serviços (onde se localiza a maioria das empresas de micro e pequeno porte).

Comungamos com a cruzada do vice-presidente José Alencar em defesa de juros civilizados. Repudiamos a prática da agiotagem bárbara que continua a castigar o Brasil.

Alertamos ser imprescindível de se repensar as metas do superávit primário.

Lembramos o desemprego como problema primário. Só na grande São Paulo, essa tragédia se abate sobre 25% da força de trabalho.
Insistimos em não deixar esquecer que os principais empregadores (no Brasil e no Mundo) são as empresas de micro e pequeno porte. O avançar da tecnologia empurra cada vez mais as grandes empresas para quadros reduzidos de funcionários. Cerca de 55% dos trabalhadores no Brasil, na área urbana, estão registrados na micro e na pequena empresa. Estas, por sua vez, representam 98% das quatro milhões de empresas brasileiras cadastradas. Esses números sofrerão um aumento ainda mais significativo quando se conseguir dimensionar a gigantesca "economia informal", número que deve alcançar os nove milhões de empreendimentos.

O Sistema Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil é singular ao representar toda essa pluralidade. Nossa base é majoritariamente a micro e a pequena empresa, mas contamos com a destacada participação dos médios e grandes empreendimentos. Estamos presentes nos campos e nos centros urbanos.

Retornando a alegoria poética de Castro Alves, somos mais que um morro. Somos uma cadeia a unir montes, vales e montanhas. Somos um ponto privilegiado de onde se pode ver um horizonte longínquo, de onde se pode acompanhar o sol desde o seu irromper.

Somos a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, a CACB. Estamos iniciando agora nosso décimo terceiro congresso, onde discutiremos e decidiremos nossas opiniões e posicionamentos sobre nós, o Brasil e o mundo globalizado.

Que a Bahia de todos os santos, todos os orixás, todas as rebeliões, todas as festas, todas artes, nos ilumine a todos com a graça de Deus.

Muito obrigado.

 

 

 

 

 


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