:::::: EVENTOS
:::::: DISCURSO DE ABERTURA XIII CONGRESSO CACB
Discurso proferido pelo Excelentíssimo Senhor
Luiz Otávio Gomes, na abertura do XIII Congresso da Confederação
das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil,
realizado no dia 05 de junho de 2003, no Centro de Convenções
Bahiatursa, na cidade de Salvador, Estado da Bahia.
Aqui, nesta Bahia de todos os Santos,
inicio minha fala com as palavras de um pecador quase divino em arte
e em cidadania: Castro Alves.
Entre outras muitas odes geniais, disse o jovem poeta
ao saudar o século, em 1865:
"Ante esse escuro problema
há muito irônico rir
pra nós o vento da esperança
traz o pólen do porvir.
E enquanto o ceticismo
mergulha os olhos no abismo,
que a seus pés raivando tem,
rasga o moço os nevoeiros,
pra dos morros altaneiros
ver o sol que irrompe além".
O poeta não chegou a viver o novo século. Como sabemos,
morreu ainda jovem na velhice do século 19. O século
20 chegou e também se foi. Cá estamos nós, começando
o século 21, ante escuros problemas, com muita ironia e pouco
riso. Mas com muitos ventos de esperança a conduzir polens
que almejamos fecundos.
Existem os céticos, sempre mirando abismos.
Existem os abismos.
Mas continuam a existir os moços de espírito,
homens e mulheres de todas as idades, dispostos a rasgar nevoeiros,
galgar montanhas para viver o nascer do sol. Somos nós.
Apostamos na esperança, no pólen fecundo,
queremos rasgar névoas, vencer os morros, acompanhar o surgir
do sol.
Que o sol da Bahia de Todos os Santos nos ilumine e
cobre nossos compromissos.
Abrimos neste momento os trabalhos do décimo
terceiro Congresso da Confederação das Associações
Comerciais e Empresariais do Brasil.
Frente às sombras, aos desafios do mundo globalizado,
nós apostamos no associativismo como caminho para sobrevivência
das empresas nos países em desenvolvimento. Nesse congresso,
nosso lema é "Fortalecer para Crescer".
O mundo contemporâneo está carregado de
ironias trágicas. Anunciado como o fim da história,
repete a violência insana dos bárbaros começos
das velhas histórias. Por outro lado, o espetacular avanço
da ciência, a diversidade das oportunidades, a expansão
da cultura oferecem novas chances de se mudar o rumo das coisas, de
se escrever páginas novas na história.
Estamos de olho no abismo, estudamos e buscamos as
saídas. Algumas terão de ser construídas, inventadas.
Nós as criaremos porque olhamos além, miramos as dificuldades
para enxergar sua superação.
Neste cenário, é clara a força
do Sistema CACB. Somos dois milhões de empresários organizados
em mais de duas mil versões de uma mesma entidade, a Associação
Comercial. Somos plurais, somos empreendedores de todos os ramos e
tamanhos e, principalmente e orgulhosamente, somos responsáveis
pela maioria dos empreendimentos de micro e pequeno porte. Aqui, somos
maiores em possibilidades.
Como dois milhões de pessoas responsáveis
por empreendimentos de micro e pequeno porte, temos um projeto comum
- e de imenso porte. Queremos ocupar nosso devido lugar no futuro.
E o futuro, para nós, já começou.
Nesse novo governo a sociedade brasileira pode consolidar
um grande passo e eliminar as visões apocalípticas das
relações entre Capital e Trabalho. Nos empenharemos
em cambiar a palavra contradição por cooperação.
E nós, nessa conjuntura, estamos numa posição
privilegiada, até porque a maioria de nós é,
ao mesmo tempo, Capital e Trabalho. Grandeza única e típica
dos empreendimentos de micro e pequeno porte.
Queremos que os empreendimentos de micro e pequeno
porte participem da elaboração e do acompanhamento prático
dos projetos estratégicos de desenvolvimento do País.
Projetos esses que só se transformarão em realidade
se conseguirmos ficar juntos e estabelecer parcerias entre o micro,
o pequeno o médio e daí possamos estabelecer objetivos
e metas comuns com o macro, com o hiper empreendimento. Para essa
parceria acontecer, é essencial o engajamento do Poder Público
e aqui queremos estreitar os laços com o governo brasileiro
em busca do desenvolvimento econômico com ênfase no social.
Queremos exercer plenamente a cidadania, queremos crescer,
desenvolver, queremos ser competitivos no grande mercado globalizado
e nos recusamos a esquecer que existem quarenta milhões de
miseráveis no Brasil.
Concordamos com o novo governo na prioridade social, no esforço
para reformar a previdência, no atual posicionamento frente
à Alca (com inclusão, em bloco, do sistema Mercosul)
e na necessidade de inserção brasileira - sem submissão
- nos mercados globais.
Cobramos do novo governo, porém, posições
realmente novas em relação à política
tributária. Consideramos uma violência a arrecadação
de tributos alcançar o patamar de 36% do Produto Interno Bruto.
Não podemos considerar tolerável a expansão dessa
violência para a proporção de 40%, como querem
alguns radicais. Reivindicamos a cobrança do ICMS no destino,
como forma de não se aprofundar as desigualdades entre as regiões.
Reafirmamos a prioridade da expansão do Simples para a área
de Serviços (onde se localiza a maioria das empresas de micro
e pequeno porte).
Comungamos com a cruzada do vice-presidente José
Alencar em defesa de juros civilizados. Repudiamos a prática
da agiotagem bárbara que continua a castigar o Brasil.
Alertamos ser imprescindível de se repensar
as metas do superávit primário.
Lembramos o desemprego como problema primário.
Só na grande São Paulo, essa tragédia se abate
sobre 25% da força de trabalho.
Insistimos em não deixar esquecer que os principais empregadores
(no Brasil e no Mundo) são as empresas de micro e pequeno porte.
O avançar da tecnologia empurra cada vez mais as grandes empresas
para quadros reduzidos de funcionários. Cerca de 55% dos trabalhadores
no Brasil, na área urbana, estão registrados na micro
e na pequena empresa. Estas, por sua vez, representam 98% das quatro
milhões de empresas brasileiras cadastradas. Esses números
sofrerão um aumento ainda mais significativo quando se conseguir
dimensionar a gigantesca "economia informal", número que deve
alcançar os nove milhões de empreendimentos.
O Sistema Confederação das Associações
Comerciais e Empresariais do Brasil é singular ao representar
toda essa pluralidade. Nossa base é majoritariamente a micro
e a pequena empresa, mas contamos com a destacada participação
dos médios e grandes empreendimentos. Estamos presentes nos
campos e nos centros urbanos.
Retornando a alegoria poética de Castro Alves,
somos mais que um morro. Somos uma cadeia a unir montes, vales e montanhas.
Somos um ponto privilegiado de onde se pode ver um horizonte longínquo,
de onde se pode acompanhar o sol desde o seu irromper.
Somos a Confederação das Associações
Comerciais e Empresariais do Brasil, a CACB. Estamos iniciando agora
nosso décimo terceiro congresso, onde discutiremos e decidiremos
nossas opiniões e posicionamentos sobre nós, o Brasil
e o mundo globalizado.
Que a Bahia de todos os santos, todos os orixás,
todas as rebeliões, todas as festas, todas artes, nos ilumine
a todos com a graça de Deus.
Muito obrigado.