:::: o que aconteceu...
CONGRESSO CACB 2004
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>> Discurso de Abertura
>> Discurso de Encerramento

Vice-presidente da república, José Alencar, com o presidente
da CACB, Luiz Otávio Gomes, na abertura do XVI Congresso brasileiro
CACB, realizado em julho de 2004, em Curitiba, Paraná.
Discurso de Abertura
Autoridades presentes,
Senhores e senhoras;
Ao Paraná, nossos agradecimentos emocionados pela acolhida.
Do Paraná, de um de seus filhos mais ilustres, o poeta Paulo
Leminski, tomo por empréstimo um verso para iniciar este grande
evento. Se vivo fosse, esse mestre da emoção estaria
completando exatos 60 anos no dia 24 de agosto deste 2004. Deixou-nos
cedo, há 15 anos, mas nos deixou um tesouro de cultura, em
literatura, em reflexão. E para refletirmos juntos, cito um
de seus ditos:
“Isso de querer ser
exatamente aquilo que a gente é
ainda vai nos levar além”
O que somos nós, as Associações Comerciais do
Brasil? Queremos ser exatamente o que somos? Se assim quisermos, se
por isso lutamos, ainda chegaremos – como disse o poeta –
além, muito além, de nossa realidade de hoje; alcançaremos
patamares ainda mais elevados em termos de cidadania, de força
representativa, de poder de realização.
Nós, das Associações Comerciais brasileiras,
somos os legítimos representantes do imenso e diversificado
empresariado das pequenas empresas em nosso País. Isto significa
que somos grandes, significa que somos algo como 5,46 milhões
de empreendimentos (98% dos 5,57 milhões de empresas formais
existentes no Brasil, segundo estudos do Sebrae sobre dados do IBGE)
que comparecem com 43% da renda total das empresas brasileiras. Ainda
segundo estudos do Sebrae, as pequenas empresas são as grandes
geradoras de emprego no Brasil, tendo criado 1,4 milhões de
novos postos de trabalho entre 1995 e 2000 (enquanto as grandes empresas
abriram apenas 30 mil novas vagas no mesmo período). Esses
são números formais. Todos sabemos o quanto é
maior a informalidade no Brasil.
Nós, empreendedores e empreendedoras do pequeno negócio,
somos grandes, muito grandes. E precisamos ser, de fato, em consciência
e em atitudes, isso o que somos. Gigantescos, diversificados, operantes,
criativos, espalhados e presentes em todos os recantos de nosso imenso
País.
Nós estamos aqui reunidos e vamos daqui sair ainda mais unidos
– “Enfrentando Desafios e Compartilhando Vitórias”
– como indica a legenda deste nosso décimo quarto congresso
brasileiro da Confederação das Associações
Comerciais e Empresariais do Brasil.
Nós somos exatamente maiores que nossas próprias entidades,
pois somos as ações destas, vamos muito além
por meio dessas iniciativas. Somos, por exemplo, o Projeto Empreender,
que hoje está sendo desenvolvido por 805 associações
comerciais em todos os estados do Brasil, 3.260 núcleos organizados
e atuantes, trabalhando com 45.175 empresas.
Neste momento, avançamos ainda mais com o Empreender e o programa
de educação a distância. Numa prova da integração
digital, os novos símbolos dessa realização foram
escolhidos em concurso via Internet, onde os vitoriosos vieram de
cidades interioranas, ambas do Estado de Pernambuco. De Nazaré
da Mata veio o esclarecedor slogan “Empreender: Capacitando
sem Fronteiras”, concebido por Eremilson Roberto de Miranda.
E de Surubim foram pescados os nomes de “Megabeto e Marinet”,
uma criação de Maria de Fátima Almeida do Rego
Silva para a dupla de mascotes animados dessa nova versão do
Empreender.
Somos o florescimento da instituição democrática
da Mediação e Arbitragem – espaço essencial
particularmente para o pequeno negócio. Nos dias de hoje o
Sistema CACB garante sua existência em sessenta municípios
brasileiros, inovando inclusive a interiorização desse
serviço cidadão, por meio de núcleos pioneiros
em 32 cidades do interior dos estados de Minas Gerais, Paraná,
Santa Catarina, Rio de Janeiro, Alagoas e Sergipe. E isso, como podem
ver, é apenas um começo. Iremos muito além.
Somos produtos institucionais consolidados, como o Programa de Orientação
para o Estágio (Proe); o Brasil Digital; o cartão de
crédito – para citar apenas três exemplos.
Com o Proe, sistematizamos e ampliamos as oportunidades e possibilidades
da integração produtiva de centros de ensino, estudantes
e empresas, numa parceria indispensável para a formação
de novos profissionais e para a oxigenação das atividades
cotidianas de todos esses envolvidos.
O Brasil Digital é uma parceria que nos engrandece e orgulha
ao reunir a CACB, o Banco do Brasil, a Microsoft e a Intel. Essa associação
se destina a garantir para cada micro e pequena empresa no Brasil
sua inserção no mundo digital, assegurando a cada uma
as condições para ter e usar corretamente seu microcomputador,
que como todos nós sabemos, é uma ferramenta básica
para a competitividade em qualquer mercado do mundo contemporâneo.
Nosso Cartão de Crédito tem pela frente um grande horizonte,
formado por milhões de usuários que, a princípio,
têm estreitas ligações com o micro e o pequeno
negócio. Ao longo de séculos foi tecida uma intimidade
de crédito que, talvez, só nós mesmos não
tínhamos ainda percebido: a necessidade de transformá-la
em um grande negócio contemporâneo.
Como legítimos representantes do pequeno empreendimento, sabemos
exatamente da importância de ser uma entidade cidadã.
E nesse universo da política não somos micro ou pequenos;
aqui nos alçamos a gigantes, jogamos de forma transparente
e vestimos a camisa do Brasil que disputa o desenvolvimento, o crescimento
econômico e a inserção social. Nesse cenário,
somos inconformados, somos mesmo insurgentes.
Não aceitamos a carga tributária de 40,01% nesse primeiro
trimestre! Não podemos silenciar frente a uma taxa básica
de juro na casa dos 16%! Não podemos entender a marca de um
superávit primário de quase 5% no 1º semestre,
quando o próprio FMI cobrava 3,75%!
E não podemos nos calar frente ao mais recente absurdo –
ou melhor a recente repetição do absurdo – de
se querer aumentar os impostos para cobrir buracos de caixa. Falo
do aumento de 20% para 20,60% na contribuição social
sobre a folha de salários, sob a justificativa de pagamento
dos aposentados. Não desconhecemos a importância de se
pagar aposentados e pensionistas, mas não podemos aceitar que
os erros, os equívocos em questões essenciais –
como a previdenciária – sejam transformados em responsabilidades
do empresariado. Em boa hora, o Governo Federal, sentindo o clamor
do setor produtivo e do Congresso Nacional recuou da medida.
Mas não desanimamos com a economia do Brasil, pois apesar de
todos esses obstáculos, conseguimos crescer em vendas a varejo
em todos os meses deste sofrido ano; conseguimos também crescer
na produção industrial e entre janeiro e junho conseguimos
ofertar mais 800 mil novos postos de trabalho sob o ônus da
carteira assinada. Não desanimaremos nunca de nosso País,
nunca deixaremos de lutar e de empreender.
Mas não deixaremos confundir nosso ânimo com esforço
vão, nem nossas esperanças com ilusões.
Ao reconhecer que estamos vivos, e nos mexendo, apesar do insuportável
peso sobre nossos ombros, saudamos a vitalidade, a criatividade, a
persistência, a potencialidade do Brasil e dos brasileiros.
E, ao mesmo tempo, gritamos por soluções. Não
cobramos milagres, não reivindicamos aventuras, não
esperamos salvadores iluminados – queremos ser parceiros dos
poderes públicos em todos os níveis. Nossas críticas
não se enquadram na mesquinhez da dicotomia oposição
versus situação. Nossas opiniões, nossas iniciativas,
estão incluídas no campo dos que querem um Brasil desenvolvido,
competitivo e com justiça social.
E quando falamos em justiça social não nos excluímos,
como setor organizado da sociedade, dessa missão. A CACB está
implementando o Programa Mercado Social cujo objetivo é organizar
e multiplicar o interesse e o engajamento da pequena empresa nas iniciativas
práticas de combate à exclusão. Essa idéia
inovadora terá sua experiência piloto lançada
no próximo mês de setembro, na cidade de Maringá
– numa homenagem e num reconhecimento ao espírito social
do povo do Paraná.
Saudamos todos os avanços conquistados, mesmo que insuficientes
para nossas necessidades. Saudamos a perspectiva de um crescimento
de 3,5% do PIB, mesmo quando sabemos que deveríamos alcançar
entre 5% e 6% para honrar nossas possibilidades. Saudamos a vitalidade
das nossas esperanças.
Saudamos nosso anfitrião, o povo e o estado do Paraná,
na figura da centenária Associação Comercial
de Curitiba. Saudamos a Federação das Associações
Comerciais e Industriais do Paraná, a grande organizadora desse
espetacular evento.
Saudamos todos os nossos parceiros neste congresso destacando o SEBRAE
como instituição companheira da pequena e micro empresa
por excelência, concepção e iniciativas práticas.
Saudamos todos os presentes neste evento.
Saudamos todos os que visam além.
Está aberto oficialmente o décimo quarto Congresso da
Confederação das Associações Comerciais
e Empresariais do Brasil!
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Discurso de Encerramento
Autoridades presentes (...)
Senhores e senhoras,
Companheiros e companheiras do sistema CACB,
Estamos de parabéns!
Este é o maior congresso já realizado em toda história
da Confederação das Associações Comerciais
e Empresariais do Brasil!
Estamos concluindo um evento espetacular. Deste nosso décimo
quarto congresso da CACB participam 1.486 inscritos, representando
associações comerciais e empresariais de todos os recantos
do Brasil. Neste congresso fizeram uso da palavra, como conferencistas
ou debatedores, 93 pessoas; a equipe de trabalho está composta
por 108 pessoas. E, muito mais do que esses 1.687 nomes devidamente
registrados, este maravilhoso evento acolheu os profissionais da imprensa
e muita gente que, sem se inscrever, quis ouvir e entender o que aqui
se discutia.
E aqui discutimos o Brasil!
E aqui buscamos saídas para o futuro brasileiro!
E aqui comprovamos o porque acreditar e apostar no nosso País.
Exatamente porque aqui nos reencontramos como construtores de um novo
Brasil, e não apenas tocadores de nossos negócios particulares;
aqui elevamos o conceito de iniciativa privada à prática
de ação cidadã em seu mais alto nível.
Exatamente por isso, a emoção nos contagiou a todos
quando do depoimento de Ronaldo Ferreira Miranda, vice-presidente
da COOPERCACEN – Núcleo dos Produtores de Cachaça
e Derivados da Cana de Açúcar do Centro Nordeste De
Minas Gerais, ao relatar como, por meio do Projeto Empreender, transformam-se
de dispersos produtores informais em uma próspera cooperativa
de exportadores. Pagam impostos, cumprem as leis, crescem, são
felizes!
Fomos às lágrimas; não apenas por solidariedade
ao pranto do mineiro feliz, mas por sinergia com o objetivo alcançado.
Orgulhamo-nos quando o Vice Presidente da República, José
Alencar, fez A defesa veemente das associações comerciais
como as casas do desenvolvimento. Orgulhamo-nos quando o ministro
Berzoini declarou “ter a maior alegria Do mundo” por estar
entre nós, pois as associações comerciais são
Instituições autônomas, independentes de repasses
ou de favores do erário.
É justo envaidecermo-nos, como cidadãos e empreendedores,
quando testemunhamos neste congresso a presença de representações
de todo o arco social de nosso País. Por este nosso décimo
quarto congresso da CACB posicionaram-se do Vice Presidente da República
à doceira do interior paranaense, passando por ministros de
Estado, grandes empresários, técnicos renomados, políticos
de expressão nacional.
Todas essas pessoas aqui manifestaram suas idéias, suas críticas,
suas reivindicações e suas esperanças. Estamos
sendo um fiel retrato da diversidade brasileira; diversidade que é
unidade quando se trata de desenvolver, de crescer economicamente,
de inserir socialmente; nossa diversidade é unidade na cidadania.
Aqui discutimos no mais alto nível questões estratégicas
como taxa de juro, taxa de câmbio, carga tributária,
inserção social, inclusão digital.
Debatemos todas essas questões com a certeza cidadã
de que as empresas De pequeno porte têm grandes responsabilidades
e gigantescas oportunidades De transformação positiva
do perfil de nosso País.
Ao homenagearmos nossa querida Zilda Arns, estamos nos comprometendo
a procurar seguir seu exemplo. Vamos transformar o pequeno empreendimento
num grande parceiro do esforço permanente – esforço
prático – de inserção social. Ao destacarmos
a fala do Vice Presidente José de Alencar e dos ministros presentes
neste congresso, estamos nos propondo a buscarmos juntos, governo
e iniciativa privada, soluções para os graves problemas
do País e para a superação dos entraves ao desenvolvimento
do Brasil.
Ao salientarmos nosso próprio orgulho pelas conquistas organizativas
e políticas demonstradas neste congresso, não queremos
louvar a nós mesmos, mas buscamos aprofundar a consciência
de nossa força, de nossa capacidade de realização.
Ministro Luiz Fernando Furlan: permita-nos ressaltar a competência
do Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio
Exterior; nos dê Licença de lhe expor propostas, quiçá
esperanças.
Aplaudimos o crescimento do Produto Interno Bruto, mas não
nos contentamos, almejamos ser parceiros num crescimento maior.
Nos entusiasmamos como a marca excepcional de 80 bilhões de
dólares em exportações nos últimos 12
meses, mas nos entristecemos com a ínfima participação
de 5% das pequenas empresas nesse cenário exportador.
Ministro Furlan: imagine o que conseguiríamos se multiplicássemos
a participação da pequena empresa nas exportações.
Seriam reflexos muito significativos, pela capilarização
e papel social da pequena empresa, a única geradora de empregos
com capacidade de responder à altura a esse problema nacional.
Ministro Furlan: por favor, leve ao conjunto do governo federal, ao
presidente Lula, essa nossa esperança, essa reivindicação
de inclusão, de crescimento real de participação
– da pequena empresa – no alvissareiro universo exportador
descortinado por sua competência pessoal e esforço de
sua equipe ministerial.
Companheiros e companheiras do sistema CACB: estamos encerrando este
espetacular congresso; estamos dando seguimento a nossa caminhada.
Agradecemos, de todo coração, ao povo e ao governo do
Paraná pela Acolhida excepcional.
Agradecemos a Associação Comercial de Curitiba e a Federação
das Associações Comerciais e Industriais do Paraná
pelo empenho na realização deste congresso. Agradecemos
a nossos parceiros – SICOOB, BANCOOB, Microsoft, Intel, Banco
do Brasil e, destacadamente, o Sebrae, apoiador permanente e principal
formulador de políticas para a pequena empresa.
Com a graça de Deus, saímos deste congresso mais fortalecidos,
mais unidos, mais conscientes de nossas potencialidades e responsabilidades.
Estão encerrados os trabalhos do décimo quarto Congresso
das
Associações Comerciais e Empresariais do Brasil.
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