:::::: PRONUNCIAMENTOS E DISCURSOS
23 de Julho de 2004
Autoridades presentes,
Senhores e senhoras;
Ao Paraná, nossos agradecimentos emocionados pela acolhida.
Do Paraná, de um de seus filhos mais ilustres, o poeta Paulo
Leminski, tomo por empréstimo um verso para iniciar este grande
evento. Se vivo fosse, esse mestre da emoção estaria
completando exatos 60 anos no dia 24 de agosto deste 2004. Deixou-nos
cedo, há 15 anos, mas nos deixou um tesouro de cultura, em
literatura, em reflexão. E para refletirmos juntos, cito um
de seus ditos:
“Isso de querer ser
exatamente aquilo que a gente é
ainda vai nos levar além”
O que somos nós, as Associações Comerciais do
Brasil? Queremos ser exatamente o que somos? Se assim quisermos, se
por isso lutamos, ainda chegaremos – como disse o poeta –
além, muito além, de nossa realidade de hoje; alcançaremos
patamares ainda mais elevados em termos de cidadania, de força
representativa, de poder de realização.
Nós, das Associações Comerciais brasileiras,
somos os legítimos representantes do imenso e diversificado
empresariado das pequenas empresas em nosso País. Isto significa
que somos grandes, significa que somos algo como 5,46 milhões
de empreendimentos (98% dos 5,57 milhões de empresas formais
existentes no Brasil, segundo estudos do Sebrae sobre dados do IBGE)
que comparecem com 43% da renda total das empresas brasileiras. Ainda
segundo estudos do Sebrae, as pequenas empresas são as grandes
geradoras de emprego no Brasil, tendo criado 1,4 milhões de
novos postos de trabalho entre 1995 e 2000 (enquanto as grandes empresas
abriram apenas 30 mil novas vagas no mesmo período). Esses
são números formais. Todos sabemos o quanto é
maior a informalidade no Brasil.
Nós, empreendedores e empreendedoras do pequeno negócio,
somos grandes, muito grandes. E precisamos ser, de fato, em consciência
e em atitudes, isso o que somos. Gigantescos, diversificados, operantes,
criativos, espalhados e presentes em todos os recantos de nosso imenso
País.
Nós estamos aqui reunidos e vamos daqui sair ainda mais unidos
– “Enfrentando Desafios e Compartilhando Vitórias”
– como indica a legenda deste nosso décimo quarto congresso
brasileiro da Confederação das Associações
Comerciais e Empresariais do Brasil.
Nós somos exatamente maiores que nossas próprias entidades,
pois somos as ações destas, vamos muito além
por meio dessas iniciativas. Somos, por exemplo, o Projeto Empreender,
que hoje está sendo desenvolvido por 805 associações
comerciais em todos os estados do Brasil, 3.260 núcleos organizados
e atuantes, trabalhando com 45.175 empresas.
Neste momento, avançamos ainda mais com o Empreender e o programa
de educação a distância. Numa prova da integração
digital, os novos símbolos dessa realização foram
escolhidos em concurso via Internet, onde os vitoriosos vieram de
cidades interioranas, ambas do Estado de Pernambuco. De Nazaré
da Mata veio o esclarecedor slogan “Empreender: Capacitando
sem Fronteiras”, concebido por Eremilson Roberto de Miranda.
E de Surubim foram pescados os nomes de “Megabeto e Marinet”,
uma criação de Maria de Fátima Almeida do Rego
Silva para a dupla de mascotes animados dessa nova versão do
Empreender.
Somos o florescimento da instituição democrática
da Mediação e Arbitragem – espaço essencial
particularmente para o pequeno negócio. Nos dias de hoje o
Sistema CACB garante sua existência em sessenta municípios
brasileiros, inovando inclusive a interiorização desse
serviço cidadão, por meio de núcleos pioneiros
em 32 cidades do interior dos estados de Minas Gerais, Paraná,
Santa Catarina, Rio de Janeiro, Alagoas e Sergipe. E isso, como podem
ver, é apenas um começo. Iremos muito além.
Somos produtos institucionais consolidados, como o Programa de Orientação
para o Estágio (Proe); o Brasil Digital; o cartão de
crédito – para citar apenas três exemplos.
Com o Proe, sistematizamos e ampliamos as oportunidades e possibilidades
da integração produtiva de centros de ensino, estudantes
e empresas, numa parceria indispensável para a formação
de novos profissionais e para a oxigenação das atividades
cotidianas de todos esses envolvidos.
O Brasil Digital é uma parceria que nos engrandece e orgulha
ao reunir a CACB, o Banco do Brasil, a Microsoft e a Intel. Essa associação
se destina a garantir para cada micro e pequena empresa no Brasil
sua inserção no mundo digital, assegurando a cada uma
as condições para ter e usar corretamente seu microcomputador,
que como todos nós sabemos, é uma ferramenta básica
para a competitividade em qualquer mercado do mundo contemporâneo.
Nosso Cartão de Crédito tem pela frente um grande horizonte,
formado por milhões de usuários que, a princípio,
têm estreitas ligações com o micro e o pequeno
negócio. Ao longo de séculos foi tecida uma intimidade
de crédito que, talvez, só nós mesmos não
tínhamos ainda percebido: a necessidade de transformá-la
em um grande negócio contemporâneo.
Como legítimos representantes do pequeno empreendimento, sabemos
exatamente da importância de ser uma entidade cidadã.
E nesse universo da política não somos micro ou pequenos;
aqui nos alçamos a gigantes, jogamos de forma transparente
e vestimos a camisa do Brasil que disputa o desenvolvimento, o crescimento
econômico e a inserção social. Nesse cenário,
somos inconformados, somos mesmo insurgentes.
Não aceitamos a carga tributária de 40,01% nesse primeiro
trimestre! Não podemos silenciar frente a uma taxa básica
de juro na casa dos 16%! Não podemos entender a marca de um
superávit primário de quase 5% no 1º semestre,
quando o próprio FMI cobrava 3,75%!
E não podemos nos calar frente ao mais recente absurdo –
ou melhor a recente repetição do absurdo – de
se querer aumentar os impostos para cobrir buracos de caixa. Falo
do aumento de 20% para 20,60% na contribuição social
sobre a folha de salários, sob a justificativa de pagamento
dos aposentados. Não desconhecemos a importância de se
pagar aposentados e pensionistas, mas não podemos aceitar que
os erros, os equívocos em questões essenciais –
como a previdenciária – sejam transformados em responsabilidades
do empresariado. Em boa hora, o Governo Federal, sentindo o clamor
do setor produtivo e do Congresso Nacional recuou da medida.
Mas não desanimamos com a economia do Brasil, pois apesar de
todos esses obstáculos, conseguimos crescer em vendas a varejo
em todos os meses deste sofrido ano; conseguimos também crescer
na produção industrial e entre janeiro e junho conseguimos
ofertar mais 800 mil novos postos de trabalho sob o ônus da
carteira assinada. Não desanimaremos nunca de nosso País,
nunca deixaremos de lutar e de empreender.
Mas não deixaremos confundir nosso ânimo com esforço
vão, nem nossas esperanças com ilusões.
Ao reconhecer que estamos vivos, e nos mexendo, apesar do insuportável
peso sobre nossos ombros, saudamos a vitalidade, a criatividade, a
persistência, a potencialidade do Brasil e dos brasileiros.
E, ao mesmo tempo, gritamos por soluções. Não
cobramos milagres, não reivindicamos aventuras, não
esperamos salvadores iluminados – queremos ser parceiros dos
poderes públicos em todos os níveis. Nossas críticas
não se enquadram na mesquinhez da dicotomia oposição
versus situação. Nossas opiniões, nossas iniciativas,
estão incluídas no campo dos que querem um Brasil desenvolvido,
competitivo e com justiça social.
E quando falamos em justiça social não nos excluímos,
como setor organizado da sociedade, dessa missão. A CACB está
implementando o Programa Mercado Social cujo objetivo é organizar
e multiplicar o interesse e o engajamento da pequena empresa nas iniciativas
práticas de combate à exclusão. Essa idéia
inovadora terá sua experiência piloto lançada
no próximo mês de setembro, na cidade de Maringá
– numa homenagem e num reconhecimento ao espírito social
do povo do Paraná.
Saudamos todos os avanços conquistados, mesmo que insuficientes
para nossas necessidades. Saudamos a perspectiva de um crescimento
de 3,5% do PIB, mesmo quando sabemos que deveríamos alcançar
entre 5% e 6% para honrar nossas possibilidades. Saudamos a vitalidade
das nossas esperanças.
Saudamos nosso anfitrião, o povo e o estado do Paraná,
na figura da centenária Associação Comercial
de Curitiba. Saudamos a Federação das Associações
Comerciais e Industriais do Paraná, a grande organizadora desse
espetacular evento.
Saudamos todos os nossos parceiros neste congresso destacando o SEBRAE
como instituição companheira da pequena e micro empresa
por excelência, concepção e iniciativas práticas.
Saudamos todos os presentes neste evento.
Saudamos todos os que visam além.
Está aberto oficialmente o décimo quarto Congresso da
Confederação das Associações Comerciais
e Empresariais do Brasil!