:::::: PRONUNCIAMENTOS E DISCURSOS
Depoimento do Presidente Luis Otávio Gomes no Seminário
do MPE
Com a palavra, o senhor presidente da Confederação
das Associações Comerciais do Brasil, Luiz Otavio Gomes.
Senhor Luiz Otávio Gomes
Bom-dia a todos, bom-dia a todas. Quero saudar os integrantes da Mesa,
as pessoas do deputado Augusto Nardes, coordenador da Frente Parlamentar
da Micro e Pequena Empresa, o companheiro César “Heck”,
que representa aqui o Ministro Furlan, e também nosso companheiro
no Conselho do SEBRAE Nacional, e o presidente do SEBRAE Nacional,
Silvano Gianni.
A Confederação das Associações
Comerciais e Empresariais do Brasil se sente honrada com esse convite,
feito através do IPED e do deputado Augusto Nardes, para participar
da abertura deste Seminário, porque a “CACEBR”
é, acima de tudo, uma entidade voltada para o pequeno negócio.
Temos, praticamente, 200 anos de existência, somos 27 federações,
2.038 associações comerciais, em 2.038 municípios
do Brasil, e temos uma capilaridade de mais ou menos 2 milhões
de empresários e empresárias associados ao nosso sistema,
dos quais cerca de 90% são empresários de micro e de
pequenas empresas. Daí, desde quando assumimos a presidência
da Confederação, há cerca de 3 anos, resolvemos
dar o foco principal à questão da micro e da pequena
empresa.
Evidentemente, na nossa entidade, temos grupos empresariais
muito grandes, como, por exemplo, no Rio Grande do Sul, o grupo Gerdau,
que participa da Associação Comercial de Porto Alegre;
em São Paulo, o Banco Bradesco, que faz parte da Associação
Comercial de São Paulo, e assim por diante. Entendemos que
os grandes empresários, as grandes empresas, já conseguem,
diretamente, resolver seus problemas, resolver seus assuntos, enquanto
a pequena empresa e o empresário do pequeno negócio
têm mais dificuldade para ser ouvido, não só no
seu município, mas também no seu estado, principalmente
no nosso país. Daí porque Seminários como este,
que está sendo realizado no dia de hoje, virem ao encontro
de tudo aquilo que estamos ajudando a construir no Brasil, que é
a consolidação do pequeno negócio.
Entendemos que o desenvolvimento sustentável
desse país vai acontecer na hora em que as 14 milhões
de empresas que estão na informalidade e as quase 6 milhões
de empresas que estão na formalidade possam ser olhadas de
uma maneira diferente por aqueles que fazem as decisões no
nosso país.
Para este Seminário e para estas breves palavras
nossas, temos preparados aqui pelo menos 11 tópicos para tratar
desse assunto, porém, vamos ficar em 3 ou 4, já que
outros oradores devem usar a palavra e, evidentemente, todos têm
o mesmo objetivo, todos têm o mesmo foco, que é a consolidação
do pequeno negócio no Brasil.
Não poderíamos deixar de falar, principalmente,
na questão do simples. Todos nós sabemos que o simples
foi criado há alguns anos pelo governo federal. Os estados
e os municípios, de uma maneira geral, não se adequaram
à legislação e, logo, o simples não chegou
onde nós queríamos. Vem agora, a partir do ano passado,
com a reforma tributária, em que trabalhamos muito, principalmente
junto à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, nas
modificações necessárias, a questão do
super simples, que está sendo agora debatido juntamente com
a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. Mais uma vez, fomos surpreendidos,
na questão do simples, no ponto das empresas de serviços.
Tenho me batido muito com relação a essa questão.
A Confederação das Associações
Comerciais do Brasil tem esse nome de Comerciais, mas, na verdade,
nos envolvemos não somente com a parte comercial, mas também
com a parte de indústria, a parte de agricultura e com a parte
de serviços, desde quando começamos, há 193 anos.
Eu não entendo exatamente o seguinte (e conversei longamente
sobre esse ponto com o Ministro da Fazenda e com o Secretário
da Receita Federal): nós não podemos ter duas categorias
de empresários no Brasil, ou seja, o simples que aí
está e o super simples que deve ser criado, vão atender
às empresas de comércio (aí, ficamos muitos satisfeitos),
às empresas de indústrias (também ficamos muito
satisfeitos) e não vão atender às empresas de
serviços, com raríssimas e honrosas exceções.
Eu tive uma discussão, inclusive uma discussão muito
dura, no gabinete do Ministro da Fazenda, com o secretário
Jorge Rachid, quando eu dizia para ele que era um absurdo as empresas
de serviço não poderem participar do simples, nem do
super simples. O secretário Rachid dizia que era impossível,
até porque os profissionais liberais deixariam de ser profissionais
liberais e passariam todos a ser empresários. Eu disse ao secretário
Jorge Rachid que esse era o objetivo do Brasil: transformar todos
os brasileiros em empreendedores. Esse país precisa do empreendedorismo,
esse país precisa mais do que nunca de empreendedores. Evidentemente,
com a inteligência que é peculiar àqueles que
fazem a Receita Federal, eles vão encontrar outro tributo que
venha a substituir esse, no caso do Imposto de Renda, com relação
à questão dos profissionais liberais que se transformam
em empresários.
Aproveito essa ocasião, já que vários
parlamentares federais estão aqui presentes, principalmente
o coordenador, o deputado Augusto Nardes, para que essa questão
não fique na sombra, que ela venha realmente para frente, a
fim de que possamos discutir. Não entendo o seguinte: no caso
da nossa Confederação, nós temos pelo menos 30
ou 35% dos nossos associados de prestadores de serviços, e
eles têm questionado muito essa questão. Eles me perguntam
se os prestadores de serviços são vistos de uma maneira
diferente. O que vai acontecer? Vamos resolver a questão do
super simples para a indústria e para o comércio e,
como eu falei, isso é bom, é extraordinário,
é excelente, mas os empresários do setor de serviços
deverão ter uma contabilidade igual a um Grupo Pão de
Açúcar, igual a um Grupo Gerdau, igual a um Bradesco,
e assim por diante. Isso é uma verdadeira loucura. Tenho conversado
sobre esse ponto com o presidente Silvano Gianni, que está
fazendo um trabalho extraordinário com relação
à Lei Geral da Micro e da Pequena Empresa. O Silvano Gianni
já nos disse que estão tentando encontrar algumas fórmulas
que venham a atender não no todo, mas em parte, com relação
a esse assunto, mas eu penso que nós devemos, sim, fazer o
enfrentamento, no bom sentido, com relação à
Receita Federal, com relação ao Ministério da
Fazenda, a fim de que os empresários de serviços tenham
as mesmas condições que os outros empresários
terão.
Na quinta-feira passada, quando da reunião do
Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que tenho a
honra de integrar, o Ministro da Fazenda, durante 4 horas e meia,
debateu com o Conselho exatamente a questão econômica
brasileira. Quando da minha fala, mais uma vez, eu disse ao Ministro
dessa minha preocupação e voltei a tocar nesse assunto.
O Ministro disse que, evidentemente, estão tentando encontrar
alternativas a fim de que se venha, é claro, atender aos prestadores
de serviços no Brasil.
Para encerrar, quero dizer o seguinte: tudo que está
sendo feito neste país com relação à Lei
Geral da Micro e Pequena Empresa, com relação à
questão do simples, vem realmente ao encontro de tudo aquilo
que pensamos. Mais uma vez, volto a dizer que entendemos que, quando
temos neste país quase 6 milhões de empresas na formalidade
e precisamos trazer 14 milhões de empresas da informalidade,
e 98 a 99% das empresas do Brasil são micro e pequenas empresas,
é claro que as micro e pequenas empresas são as empresas,
digamos assim, mais importantes e que devem ser olhadas de maneira
diferente pelos poderes constituídos no Brasil.
Nós, que fazemos a Confederação, estamos à
disposição dos senhores parlamentares, dos companheiros
das confederações e dos movimentos que lutam nesse sentido,
a fim de que, mais do que nunca, possamos consolidar esse pequeno
negócio no Brasil. Muito obrigado.