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05 Dez 2002

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ENTREVISTA: LUIZ OTÁVIO GOMES, PRESIDENTE DA CONFEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS DO BRASIL 

"A tendência é de queda nos juros depois das eleições"


O anúncio da nova equipe econômica estabilizará o mercado, os juros cairão e as vendas para o Natal serão boas. As projeções são do alagoano Luiz Otavio Gomes, presidente da Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB). Isso, porém, não o impede de prever dificuldades para 2003:

Gomes falou a Zero Hora ontem na Federação das Associações Empresariais do Estado (Federasul).


Zero Hora – Quais as perspectivas para as vendas no Natal, com o atual cenário econômico?

Luiz Otavio Gomes – Sou um otimista. Porém, depois dessa pancada que recebemos do Banco Central, que aumentou os juros de 18% para 21%, estamos muito angustiados. Prefiro pensar que vamos sair das dificuldades e fazer um Natal muito bom.

ZH – Que produtos sustentarão esse bom Natal?


Gomes –
Vamos dar preferência aos produtos fabricados no país. Insisto em que temos de comprar muito, mas precisamos poupar, o 13º salário deve ser utilizado uma parte para compras, o restante para poupar. E isso não tem a ver com o próximo presidente. O cenário do próximo ano é incerto pela instabilidade da economia mundial.

ZH – A alta dos juros aumenta o medo de inadimplência?

Gomes – Quando se aumenta a taxa de juros de 18% para 21% se sabe que na ponta esse aumento é muito maior. E, é claro, quanto mais juros, maior o risco de inadimplência. Mas eu não acredito que essa taxa de juros vá perdurar por muito tempo. A tendência é de queda nos juros após as eleições.

ZH – A estabilidade virá independentemente do presidente eleito?

Gomes – Sim. Não há motivo para o que estamos vivendo hoje, exceto as dúvidas em relação às eleições. Trabalhar com uma taxa de câmbio próxima de R$ 4 é uma heresia. O câmbio devia estar entre R$ 2,70 e R$ 2,80.

ZH – Qual a taxa de juros ideal para o aquecimento?

Gomes – Uma taxa de inflação anual de 6% a 7% e juros de 12% a 13% ao ano. Mas isso não ocorrerá este ano, nem em 2003. É algo para daqui a quatro anos, devido às instabilidades na economia mundial.