:: Responsabilidade Social

Energia limpa
em Nova Iguaçu
NovaGerar produz eletricidade com biogás e é o primeiro projeto no mundo com selo de MDL
por VICTOR HIRAKURI
Com a assinatura do Protocolo de Quioto, em 1997, e sua ratificação, que se
deu este ano, os países desenvolvidos têm de reduzir a produção de gases
causadores do efeito estufa – o fenômeno de aumento da temperatura média no mundo todo. O efeito estufa, caso descontrolado, pode promover alterações climáticas que, como conseqüência, tendem a aumentar o processo de desertificação e pôr em colapso grandes áreas agrícolas; elevar o nível dos oceanos, fazendo desaparecer cidades até países inteiros; além de alterar a vegetação e a biodiversidade, mesmo em locais preservados.
Entretanto, os países desenvolvidos não precisam reduzir a emissão dentro de seu território. Junto a essa determinação, o protocolo prevê mecanismos que, de uma certa forma, flexibilizam a obrigação. Entre os mecanismos estão a compra de créditos de carbono e o fomento de projetos de mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), em países em desenvolvimento, que não são obrigados a reduzir a emissão dos chamados gases-estufa. Financiando os projetos, os países podem incluir a diferença da emissão de gases desses projetos na sua conta.
Para aproveitar a oportunidade de atrair dinheiro estrangeiro para promover o desenvolvimento sustentável e a preservação ambiental, foi criado o NovaGerar, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. O projeto é resultado de uma parceria entre a EcoSecurities, uma financeira transnacional especializada em projetos de redução de gases-estufa, e a construtora S.A. Paulista.
Sem lixão, menos problemas sociais
A primeira ação do projeto já foi tomada. O lixão da Marambaia, que recebia resíduos de Nova Iguaçu e outras cidades da Baixada Fluminense, foi desativado. A área está em processo de recuperação ambiental e deve ser reflorestada. Mudas de espécies da Mata Atlântica já estão sendo plantadas e começam a dar forma ao parque, que tomará o espaço do depósito de lixo. As mais de cem pessoas que dependiam do lixão para sobreviver trabalham em uma cooperativa de reciclagem e passam por cursos profissionalizantes; de alfabetização; oficinas de reciclagem; e outros programas, em parceria com a prefeitura e empresas da cidade.
Agora o lixo produzido na região é depositado em um aterro sanitário. Os resíduos sólidos são tratados com modernas técnicas. O gás metano – resultado da decomposição do lixo orgânico e considerado um dos responsáveis pelo efeito estufa – já gera energia para o tratamento do chorume – líquido altamente poluente que também é resultado da decomposição de lixo orgânico.
Com as usinas em funcionamento, a partir de 2006, a proposta é que a energia produzida a partir do metano abasteça todos os prédios públicos de Nova Iguaçu, além da administração direta, escolas e hospitais públicos.
Preservação global e desenvolvimento local
“Há quatro anos, muito antes da entrada em vigor do Protocolo de Quioto, quando os créditos de carbono para mecanismos de desenvolvimento limpo eram apenas uma possibilidade, o projeto estava sendo estudado”, diz a gerente de comunicação corporativa do NovaGerar, Roberta Rocha. “Por isso podemos ser considerados o primeiro projeto de MDL do mundo”. Ano passado, o projeto foi aprovado pela Comissão Interministerial do Clima Brasileira e, este ano, foi aprovado pelo Quadro-Executivo da Convenção-Quadro para Mudança Global do Clima da ONU, a instituição responsável pela política mundial de clima. A redução de emissão de gases-estufa da NovaGerar já tem dono. A Holanda, de olho na redução de 1,2% em relação a 1990, já comprou os créditos de carbono do projeto de Nova Iguaçu. “Mas não basta reduzir a emissão de poluentes”, lembra Roberta. “Segundo o Protocolo de Quioto, os projetos de MDL têm de promover o desenvolvimento sustentável na região”. O NovaGerar, quando estiver em plena atividade, gerará até 150 empregos diretos, o que pode motivar a criação de até 500 empregos indiretos. “Além disso, os uniformes, as refeições dos trabalhadores e o material de construção das usinas está sendo todo adquirido em Nova Iguaçu”, completa a gerente.
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