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Associação Referência

Entidade
planejada
Muitas aspirações políticas, sociais e econômicas voltadas para Brasília se consolidaram a
partir de negociações com a Associação Comercial do Distrito Federal
por PEDRO BORTOLOTI JUNIOR
Ahistória da Associação Comercial
do Distrito Federal – ACDF – se
confunde com a própria história de Brasília. Fundada em 16 de julho de 1957, “Dia Nacional do Comerciante”, foi a primeira entidade representativa de classe do Distrito Federal. Referência na luta pelo interesse do empresariado, tem como maior projeto de desenvolvimento industrial implantado no Distrito Federal o PROIN, atualmente PRODF, idealizado e proposto ao Governo de Brasília pela ACDF, na gestão do ex-presidente, Lindberg Aziz Cury. Na sede da entidade nasceram, também, o Banco de Brasília – BRB –, a Federação das Indústrias de Brasília – Fibra –, a Câmara de Dirigentes Lojistas – CDL –, e outras entidades.
Durante muitos anos, a ACDF foi a tribuna livre dos anseios políticos dos setores produtivos e do povo do Distrito Federal e do Brasil. Na tribuna da ACDF, durante o regime militar, se manifestavam personalidades da vida nacional como o sindicalista Lula, os deputados Tancredo Neves, Ulisses Guimarães e muitos outros. “Esta experiência nos levou a patrocinar uma grande campanha pela representação política do Distrito Federal, razão de estarmos representados hoje no Senado, Câmara dos Deputados e Câmara Legislativa”, diz o Presidente da associação, Fernando Pedro de Brites, que faz do lema: “reunir para crescer” uma constante e é uma forma de aproximar todas as entidades para a busca de soluções em prol do desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal.
Para Brites, o associativismo no Brasil é algo que vem se sedimentando de forma parcimoniosa, é uma forma de ação coletiva voltada, no caso da ACDF, para os interesses empresariais e da sociedade. “O acelerado desenvolvimento econômico, denominado globalização, caracteriza uma nova etapa do capitalismo e traz novos desafios comerciais neste século, exigindo, cada vez mais do empresário, capacidade de tomar iniciativa e buscar soluções inovadoras, a fim de que continue inserido no processo de evolução mundial. Defendemos que o meio efetivo para acompanhar estes novos desafios é o associativismo”.
O fato de estar estabelecida na capital do país acarreta uma responsabilidade ainda maior para a entidade. “As decisões governamentais chegam, muitas vezes, de forma mais célere, exigindo mobilização contra posicionamentos arbitrários que possam comprometer o bem-estar social e o desenvolvimento econômico de todo o país”, defende Brites. Prova disso é a visita periódica de presidentes de outras Associações Comerciais do Brasil e empresários de vários segmentos à procura de apoio, para somar esforços na resolução dos diversos problemas sócio-econômicos. A Associação promoveu duas carreatas em Brasília, congestionando totalmente a Esplanada dos Ministérios. A primeira, em 17 de novembro de 2004, contra os impostos altos; e a segunda, contra a edição da Medida Provisória 232, que aumentava a carga tributária. “Nos dois eventos, nos associamos à luta liderada em nível nacional pela Associação Comercial de São Paulo”, lembra, e emenda: “a grande verdade é que o trabalho desenvolvido pelas Associações Comerciais, independente da proximidade ou não das entidades governamentais, será sempre árduo, entretanto, muito gratificante, na defesa dos interesses dos empresários e da sociedade de modo geral”.
Sobre os benefícios para a comunidade, a ACDF tendo sido a tribuna de Brasília, responsável por encaminhar ao governo diversos projetos e viabilizado várias obras como viadutos, escolas, iluminação, asfalto e saneamento básico. Também promove eventos, palestras e cursos em parceria com empresas particulares e entidades de classe para o desenvolvimento social e a diminuição da mortalidade precoce de pessoas jurídicas. A ACDF executa, também, o Projeto Empreender, uma iniciativa da Confedera-ção das Associações Comerciais e Empresarias de Brasília – CACB –, e Federação das Associações Comerciais e Industriais do Distrito Federal – Facidf –, cujo objetivo, em síntese, é fortalecer os empresários elevando sua competitividade no mercado, a partir da reunião de empresas de um mesmo segmento, e na busca de soluções comuns para questões que, sozinhos, teriam dificuldades de resolver. O Projeto Empreender é a concretização do que dispõe o art. 2º, alínea “e”, do Estatuto ACDF: “A Associação Comercial do Distrito Federal tem por finalidade desenvolver, no âmbito de sua atuação, o espírito associativo e incentivar a criação de entidades que possam concorrer para a realização de seus objetivos.”
A ACDF está desenvolvendo, em parceria com a Facidf e a Secretaria do Trabalho do Distrito Federal, dois projetos. O primeiro visa tirar da informalidade boa parte dos 100 mil informais espalhados por todo o Distrito Federal. O segundo, é a geração de empregos para os jovens que encontram dificuldades em obter a primeira experiência laboral. Este projeto está voltado, principalmente, para a formação profissional dos jovens das áreas periféricas do Distrito Federal. Para proporcionar melhor qualidade de vida aos seus associados, a ACDF disponibiliza assessoria jurídica gratuita e diversos convênios médicos, odontológicos e laboratoriais.
Um pouco de história
A Associação Comercial do Distrito Federal, desde sua fundação, participou diretamente do crescimento social e político do Brasil. O Fundador da ACDF, Antônio de Paula Pontes, colaborou na construção de Brasília. Responsável pela instalação do Banco da Lavoura de Minas Gerais, hoje Banco Real, na antiga Cidade Livre, financiou grande parte das obras da nova capital. A Associação compôs o cenário político do movimento denominado Diretas Já. Não foram poucas as autoridades e personalidades que utilizaram o espaço da ACDF em busca de tribuna e de apoio na defesa da liberdade e da livre iniciativa. Foi dentro da entidade que surgiu a atual Assembléia Legislativa do DF e outras entidades como Federação das Indústrias de Brasília – Fibra; Federação do Comércio – Fecomércio; Câmara dos Dirigentes Lojistas – CDL; Federação das Associações Comerciais do Distrito Federal – Facidf; e muitas outras.
A criação do Banco Regional de Brasília, hoje Banco de Brasília – BRB –, por exemplo, foi uma das vitórias oriundas de várias negociações dentro da ACDF. Em 1976, construiu o edifício Palácio do Comércio, onde está sua sede, local em que são desenvolvidas as atividades administrativas da entidade. No mesmo andar, foram construídos dois amplos auditórios e uma sala de reuniões, utilizados para seminários, cursos, reuniões e eventos diversos. Fazem parte do acervo patrimonial da ACDF as salas que compõem o segundo e terceiro andar do mesmo edifício, atualmente locadas para empresas privadas.
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