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                                                                                      Inovar é preciso

                                                                                                 por EDSON MACHADO MONTEIRO*
                                                                                                                 

Nos últimos meses, muito se tem falado sobre juros. Invariavelmente, os bancos são retratados como os grandes vilões da economia, empresas que correm atrás de clientes oferecendo crédito e estimulando o endividamento. A crítica, salgada e normalmente não embasada, ainda costuma associar crédito a cheque especial, enfatizando o que dizem ser suas “astronômicas” taxas de juro. Não fosse a importância das instituições financeiras e do crédito na vida das pessoas, na economia e na sociedade, certamente o comentário sobre o assunto não se justificaria.
Acontece que ambos desempenham um papel fundamental. Os bancos são importantes instrumentos de concretização da agenda de desenvolvimento do país – uma agenda que passa pela agricultura, pelo comércio, pela indústria, pela larga malha de micro e pequenas empresas, pela bancarização e por tantas outras vertentes da atividade produtiva que sustentam e provocam saltos econômicos e sociais.As instituições financeiras estão na linha de frente desse processo. Elas têm investido maciçamente em tecnologia e em treinamento para atender melhor aos clientes. Elas avançam, acompanhando a demanda, cada vez mais exigente. No atual cenário, responsabilidade social, consumo consciente e direitos do consumidor são premissas indispensáveis da atuação empresarial. O velho ditado segundo o qual o “cliente tem sempre razão”, se modernizou. Atualmente, não apenas ele “tem razão” como estende esse juízo à forma de atendimento, à veracidade das informações veiculadas nas campanhas publicitárias, aos eventuais danos ambientais provocados pelos produtos comercializados e, no caso dos bancos, aos juros que praticam.
Voltamos então ao início de nossa reflexão: juros! A discussão começa pela famosa Selic, hoje em 19,75% ao ano. É ela que dita o custo mínimo do dinheiro. Acrescentam-se o risco de crédito, os gastos administrativos, os tributos. A diferença entre a taxa de juros dos empréstimos e esses custos resultam no – não menos famoso – spread, que traduz o ganho dos bancos na intermediação financeira. Juros são fruto de uma relação de mão dupla, que conjuga interesses de doadores e tomadores. Uma composição de inúmeras parcelas cada vez mais normatizada e vigiada. O Governo apela às instituições para que democratizem o acesso ao crédito e a sociedade apela aos bancos para que reduzam suas margens de lucro.
É nesse contexto que os bancos colocam à prova sua política de crédito e sua experiência numa busca permanente por eficiência. Mais, colocam à prova seu papel, missão e sustentabilidade. Criam linhas sob medida para os diferentes segmentos de clientes. O empréstimo consignado no Banco do Brasil começa por 1,5% ao mês para trabalhadores e aposentados – uma taxa campeã nessa modalidade. O saldo dessas operações supera R$ 2,2 bilhões, o que equivale a um crescimento de 54% neste ano. E o BB tem uma série de outras linhas com taxas diferenciadas, acessíveis, para atender às demandas de seus clientes. Exemplo disso, o crédito para compra de material de construção, com taxa de 1,9% ao mês.
Nesse contexto, o tão falado cheque especial é apenas uma gota no oceano. Pelos números do Banco Central, fechados em abril, dos R$ 300 bilhões de empréstimos do Sistema Financeiro com “recursos livres”, ele representa apenas 3,8%. Cheque especial é um recurso para uso meramente emergencial. Qualquer cliente que procurar seu gerente de conta para obter informações sobre linhas de crédito, certamente não encontrará rol de sugestões. Definitivamente, cheque especial não é um linha de crédito. Se traduz em conveniência para o cliente, para uso em casos fortuitos.
Num momento em que mais e mais instituições aderem às iniciativas de divulgação do crédito responsável – “consciente” – atitudes e práticas como essa denotam a responsabilidade do sistema financeiro em ser, essencialmente, um aliado do Brasil e dos brasileiros. Clientes e cidadãos do século XXI não tolerariam algo diferente.


*Edson Machado Monteiro é Vice-presidente de Varejo e Distribuição do Banco do Brasil

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